MPF admite que Delcidio mentiu ao acusar Lula e pede absolvição

Oceane Deschanel
Setembro 2, 2017

Nas alegações finais, o Ministério Público Federal (MPF) considerou que não há provas de que Lula e o banqueiro André Esteves participaram de crimes no caso apurado.

Em sua versão, Delcído afirmou que todo o dinheiro foi dado por José Carlos Bumlai, por intermédio do filho, Maurício Bumlai, e que ele apenas encaminhou a entrega das cinco parcelas de R$ 50 mil ao ex-diretor da Petrobras a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-líder do governo no Senado, no entanto, garantiu em sua delação que o plano para calar Nestor Cerveró era de interesse do ex-presidente e do dono do banco BTG Pactual.

Delcídio e seu ex-chefe de gabinete, Diogo Ferreira, fecharam delação e relataram repasse de R$ 250 mil pelo silêncio de Cerveró.

Diante das conclusões às quais chegou na ação penal, o Ministério Público pediu à Justiça que Delcídio perca os benefícios da delação premiada e seja condenado. A defesa de Lula diz que o pedido de absolvição reflete a prova de sua inocência.

O procurador afirmou ainda que Delcídio mentiu em seus depoimentos e que os fatos citados por ele levaram à abertura de ação penal contra sete pessoas.

Na tentativa de convencer a Justiça de que não agiu em interesse próprio, Delcídio sustentou ainda que "não lhe adiantava mais segurar a delação do Cerveró no que se referia e ele", porque as informações dos supostos crimes já eram conhecidas por constar do acordo de colaboração premiada de outro investigado na Lava Jato: Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano.

"No entanto, atribuiu falsamente a Lula a ordem para a prática do crime, e falsamente à família Bumlai [ligada a Lula] o pagamento da quarta e quinta entregas de valores para comprar o silêncio de Cerveró".

PRF apreende carga de cigarros avaliada em R$ 1 milhão
A mercadoria era transportada por um jovem, de 21 anos, que alegou ter adquirido o produto com um homem desconhecido em Caruaru. A carga está avaliada em R$ 1 milhão e teria chegado ao Brasil vinda do Paraguai e da Alemanha.

A intenção do Ministério Público Federal (MPF) de pedir a perda de benefícios dados a Delcídio foi antecipada pelo GLOBO em reportagem publicada no último domingo.

"Para o procurador, ao contrário do que afirmou Delcídio do Amaral - tanto na colaboração quanto no depoimento dado à Justiça -, o pretendido silêncio de Cerveró, que à época cumpria prisão preventiva, não foi encomendado ou interessava a Lula, mas sim ao próprio senador", diz a nota.

O Midiamax tentou falar com Delcídio, mas ele não atendeu aos telefonemas.

"Ele fez vários depoimentos complementando os iniciais, que dão tranquilidade a ele". No caso de Diogo, benefícios decorrentes da colaboração devem ser mantidos.

Além de pedir a absolvição de Lula e de André Esteves, a Procuradoria recomendoou em suas alegações a condenação dos demais réus da ação penal por obstrução de Justiça e patrocínio infiel, que é quando o advogado atua para prejudicar o cliente.

Para Kakay, o parecer do MP é "técnico e bem fundamentado". "A justiça está sendo feita", afirmou.

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