Áudios da J&F citam ex-ministro José Eduardo Cardozo

Oceane Deschanel
Setembro 6, 2017

Um dos trechos do áudio que será investigado pela Procuradoria Geral da República (PGR), o empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, em conversa com o diretor de Relações Institucionais da empresa, Ricardo Saud, afirmou que os executivos da empresa eram a "joia da coroa" do Ministério Público. O Marcelo [Miller] já descobriu e já falou com o Janot: 'Ô, Janot, nós temos o cara [Joesley], nós temos o pessoal que vai dar todas as provas que nós precisamos'.

"(.) Temos que usar (parte inaudível) Zé Eduardo, pressionar o Zé Eduardo pra ele contar quem é o cara do Supremo", diz Saud.

Em uma das gravações entregues à Procuradoria-Geral da República, os delatores da JBS Joesley Batista e Ricardo Saud discutem quais autoridades deveriam ser gravadas por eles para compor o acervo do acordo de delação premiada que negociavam com o Ministério Público Federal.

Os dois queriam atrair Cardozo para um encontro com um pretexto de contratá-lo para serviços de advocacia.

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O áudio entregue à PGR na última quinta-feira - motivo da investigação interna instaurada por Janot que pode comprometer os benefícios da delação dos executivos da J&F - mostra que Joesley tinha certeza de que não seria preso.

Na conversa, Joesley e Saud ainda brincam com a proximidade entre Cardozo, a ex-presidente Dilma Rousseff e a atual presidente do STF, Cármen Lúcia.

Ao narrar a conversa com Marcelo, Saud conta: "Inclusive lá nós conversamos, o cara [Cardozo] falou que tem cinco ministros na mão dele". No início da noite, o sigilo dos áudios foi retirado pelo ministro Edson Fachin, relator das delações da JBS, mas o conteúdo deve ser disponibilizado somente amanhã pelo STF. Os laudos sobre as conversas com Aécio e Rocha Loures foram anexados em inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). Embora o encontro com Cardozo tenha ocorrido, o plano dos delatores não foi bem-sucedido, já que o ex-ministro teria feito apenas afirmações genéricas sobre os magistrados. "Quer? Pega o Zé", diz Joesley ao se referir, em outro trecho da conversa, a Marcelo Miller, ex-procurador que participou do acordo de leniência.

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