Defesa de ex-procurador volta a criticar, em nota, pedido de prisão

Eloi Lecerf
Setembro 10, 2017

Neste caso, o ministro do STF não autorizou a prisão.

A defesa informou que, se for decretada a prisão, eles poderão negociar se apresentarem à Polícia Federal espontaneamente, evitando uma ação.

As relações de Marcelo Miller, o ex-procurador encrencado, e Joesley Batista são anteriores ao que se sabia até agora. Após sair da PGR, ele foi trabalhar como advogado no escritório Trench, Rossi e Watanabe, o mesmo que representava o grupo J&F na negociação do acordo de leniência, chegou a participar de articulações iniciais. Os comentários foram feitos após depoimento de Miller à Procuradoria Regional da República da 2ª região, que durou nove horas.

Janot, que encerra o período de quatro anos como procurador-geral em 17 de setembro, denunciou muitas figuras políticas importantes em sua gestão. Esse é o entendimento de, pelo menos, três ministros do Supremo: a rescisão do acordo não anula as provas. A Procuradoria também suspeita que os delatores podem ter omitido informações.

Joesley foi questionado pelos investigadores e teve que explicar cada trecho da gravação da conversa entre ele e Ricardo Saud.

Após cerca de 3 horas, termina depoimento de Joesley na PGR
Naquele momento, Miller estaria tentando "justificar a situação" que teve a JBS como um dos principais alvos da Polícia Federal. O ex-procurador Marcello Miller deve depor sobre o assunto nesta sexta (8).

O ex-procurador ainda era integrante do Ministério Público quando começou a conversar com os delatores e só foi exonerado meses depois.

A autorização da prisão de Joesley e Saud foi feita a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, depois que ele concluiu que os colaboradores esconderam do Ministério Público fatos criminosos que deveriam ter sido contados nos depoimentos, o que representa a quebra do acordo de delação premiada.

O empresário Joesley Batista, dono do grupo J&F, e o executivo Ricardo Saud estão em São Paulo e pretendem se entregar à Polícia Federal, segundo fontes que acompanham as investigações. "Cabível, portanto, nos termos pleiteados pelo MPF, a parcial suspensão cautelar da eficácia dos benefícios acordados entre o procurador-geral da República e os colaboradores para o fim de se deferir medidas cautelares com a finalidade de se angariar eventuais elementos de prova que possibilitem confirmar os indícios sobre os possíveis crimes ora atribuídos a Marcello Miller", disse o ministro.

O relator da Lava Jato, entretanto, determinou a prisão dos dois delatores da J&F sem ouvi-los.

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