Temer e Geddel repartiram propina paga pela Odebrecht, diz Funaro em delação

Oceane Deschanel
Setembro 13, 2017

O operador financeiro Lúcio Funaro afirmou que o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) pediu a ele, em 2014, que retirasse R$ 1 milhão do presidente Michel Temer no escritório do amigo e ex-assessor especial de Temer José Yunes, em São Paulo, e enviasse o dinheiro para Salvador. A informação foi publicada no site do jornal O Globo e confirmada pelo Valor.

Na delação, homologada pelo Supremo, Funaro falou que buscou R$ 1 milhão em espécie, pagos pela empreiteira, no escritório do advogado e amigo de Temer, José Yunes.

O ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho revelou em seu acordo de colaboração com a Justiça que participou de um jantar em abril de 2014 no Palácio da Jaburu ao lado de Marcelo Odebrecht, de Temer e do hoje ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

À PGR, Yunes contou que foi usado como "mula" de Padilha para a entrega de um pacote. Ele disse aos procuradores que entregou R$ 1 milhão em espécie no escritório de Yunes, que nega ter recebido a quantia.

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Segundo os senadores, a atitude foi tomada pela discordância com a escolha do deputado Carlos Marun (PMDB-MS) para a relatoria . Delegado Francischini (SD-PR) foi indicado para relatar o referente a contratos, empréstimos e ao acordo de colaboração.

Ainda segundo Funaro, Henrique Constantino, empresário da Gol, teria pedido ao operador financeiro uma prova de que era Temer o responsável por pedir o dinheiro para a campanha de Chalita.

"Na época do impeachment de Dilma Rousseff, eles confabulavam diariamente, tramando a aprovação do impeachment e, consequentemente, a assunção de Temer como presidente", disse Funaro na delação ao Ministério Público Federal.

O lobista também afirmou em seu acordo de colaboração com a Justiça que Temer e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB) tramavam "diariamente" os trâmites para destituir Dilma Rousseff (PT) da Presidência da República.

Segundo Funaro, Cunha sempre foi o arrecadador de propinas para o chamado "quadrilhão" do PMDB, enquanto Temer atuava no núcleo político, viabilizando interesses de empresas que pagavam subornos ao grupo.

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