Após PF apontar organização criminosa, Temer deve fazer pronunciamento

Judith Bessette
Setembro 14, 2017

O relatório conclusivo da Polícia Federal sobre o chamado 'quadrilhão' do PMDB da Câmara indicou que o presidente Michel Temer recebeu R$ 31,5 milhões de vantagens por participar da organização criminosa formada por políticos, que atuou na Petrobrás e na administração federal.

Na representação gráfica as flechas apontam para Temer ao lado do ex-deputado Eduardo Cunha (RJ), no comando da "gestão do núcleo político" de uma organização formada pela legenda na Câmara.

Em nota divulgada nesta segunda-feira, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, sugeriu que o relatório da Polícia Federal não merece resposta.

O relatório, que dá por finalizada uma longa investigação, diz que da organização criminosa, que foi criada antes de Temer assumir a presidência, em Maio de 2016, fazem parte ainda os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, bem como os ex-ministros Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima, este último preso na semana passada depois de terem sido descobertos mais de 13 milhões de euros em dinheiro vivo escondidos em caixas num apartamento que ele usava como "bunker" na cidade de Salvador da Bahia.

Os integrantes da cúpula do partido, supostamente, mantinham 'estrutura organizacional com o objetivo de obter, direta e indiretamente, vantagens indevidas em órgãos da administração pública direta e indireta'.

Justiça ordena apreensão de urnas de voto para referendo na Catalunha
O Ministério Público espanhol admitiu esta quarta-feira estar a investigar mais de 700 autarcas da Catalunha que estarão alegadamente a colaborar com o Governo regional para a realização do referendo de independência da região.

Há indícios de que o presidente Michel Temer cometeu crimes, afirma a Polícia Federal.

Segundo a PF, Temer tinha poder de decisão no grupo "tanto para indicações em cargos estratégicos quando na articulação com empresários beneficiados nos esquemas, para recebimento de valores, sob justificativa de doações eleitorais".

De acordo com a PF, há indícios de organização criminosa porque os investigados tinham poder sobre demais membros do grupo e a capacidade de repartir o dinheiro obtido por meio de práticas ilícitas como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitação e evasão de divisas.

Oa acusados alegam em sua defesa fraqueza de provas e do denunciante evidenciada na segunda gravação. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, há a possibilidade de que os crimes do quadrilhão do PMDB na Câmara constem nessa denúncia. O relator do caso no Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, no entanto, considerou desnecessária a inclusão formal pelo fato de o presidente já ser investigado pelo crime em outro inquérito. Já Moreira Franco disse que jamais participou de qualquer grupo "para a prática do ilícito". São elas os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, os ex-ministros Geddel Vieira Lima, Henrique Alves e Antônio Andrade e mais quatro ex-assessores do presidente: José Yunes, Tadeu Filippelli, Sandro Mabel e Rocha Loures. "O Presidente Temer lamenta que insinuações descabidas, com intuito de tentar denegrir a honra e a imagem pública, sejam vazadas à imprensa antes da devida apreciação pela Justiça". Lamento que tenha que falar sobre o que ainda não conheço.

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