Comandante da Protecção Civil licenciou-se com equivalências a 90% das cadeiras

Patrice Gainsbourg
Setembro 15, 2017

De acordo com uma investigação da RTP, Rui Esteves, comandante nacional da Proteção Civil, terminou a licenciatura na Escola Superior Agrária de Castelo Branco, mas só fez duas das 36 cadeiras do curso.

"O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, tomou hoje conhecimento deste assunto pelo presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco, que informou o ministro que tinha enviado o assunto para a Inspeção Geral da Educação e Ciência", pode ler-se numa nota de esclarecimento enviada à Lusa pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que adianta ainda que "o ministro também reforçou o pedido junto da Inspeção".

Uma reportagem do 'Sexta às 9', emitida na estação pública, conclui que a "experiência profissional" de Rui Esteves "fundamentou as equivalências a 90 por cento da licenciatura", concluída na Escola Superior Agrária de Castelo Branco.

Rui Esteves negou ilegalidades no exercício do cargo, recusou demitir-se, sendo que a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, decidiu abrir um processo disciplinar.

Rui Esteves foi nomeado Comandante Nacional Operacional da Protecção Civil em Janeiro de 2017, no âmbito de uma remodelação levada a cabo pelo Governo na estrutura hierárquica da Protecção Civil.

PF diz que presidente Michel Temer recebeu R$ 31,5 milhões de 'vantagem'
A PF cita ainda o repasse de R$ 5,4 milhões para a campanha de Gabriel Chalita, dinheiro que teria sido solicitado por Temer. Segundo a corporação, Michel Temer teria, sozinho, embolsado R$ 31,5 milhões em vantagens indevidas por meio do esquema.

O lugar de Rui Esteves será agora assumido interinamente pelo número dois da Proteção Civil, Tenente Coronel Albino Tavares - o coordenador das operações no terreno durante a fase crítica do incêndio de Pedrógão Grande.

Ontem, horas depois de conhecido o pedido de inquérito à licenciatura, Rui Esteves acabou por apresentar a demissão ao secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, "o qual foi aceite", segundo avançou, em comunicado, o ministério.

"O comandante nacional operacional da Proteção Civil obteve equivalência a disciplinas como matemática, estatística e química sem nunca ter frequentado uma aula", revela ainda a estação pública.

Ao mesmo jornal, o agora ex-comandante defendeu que se tratou de "um processo normal dentro daquilo que são as normas que estavam em vigor na altura" - as mesmas que permitiram a licenciatura do ex-ministro Miguel Relvas, em Ciência Política e Relações Internacionais, também com 32 creditações.

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