Delator confirma que Temer e Eduardo Cunha tramaram queda de Dilma 'diariamente'

Patrice Gainsbourg
Setembro 15, 2017

As acusações de Funaro envolvem o presidente Michel Temer e vários aliados.

Agora, o lobista conta que Geddel Vieira Lima o telefonou à época dessa negociação e pediu a ele para que retirasse R$ 1 milhão em espécie do escritório do amigo de Temer.

O ex-ministro, segundo ele, "informou que o dinheiro que iria retirar com José Yunes era referente a uma doação via caixa 2 da Odebrecht, acertada juntamente (com) Eliseu Padilha e Michel Temer". O corretor disse que quem lhe passou a informação foi Cunha.

A primeira operação juntos foi o empréstimo de R$ 300 milhões à J&F, que acabara de ser criada.

A versão contada por Funaro não chega a contradizer diretamente dois delatores da construtora Odebrecht que haviam revelado o episódio pela primeira vez meses atrás, mas diverge sobre o beneficiário do pagamento e dos registros de uma planilha entregue pela empreiteira. O compromisso era não fazer delação premiada em troca de dinheiro. O delator disse, ainda, que Ferrão é "amigo de longa data" de Padilha. Enquanto o primeiro trabalhava na captação de recursos ilícitos, o segundo atuava no "núcleo político", viabilizando, por meio de seus indicados na administração, interesses das empresas que pagavam subornos. Funaro aceitou e disse que só resolveu procurar o Ministério Público e se tornar um delator quando teve certeza de que Joesley tinha quebrado esse pacto de silêncio entre eles.

PIS-Pasep 2017 será pago aos nascidos em setembro
Para o exercício 2017/2018 serão destinados R$ 16,9 bilhões para pagamento do abono salarial a 24,3 milhões de trabalhadores. Para quem tem conta no BB ou na Caixa, o depósito será automático, sem que o correntista precise solicitá-lo.

Diante do fato, Funaro afirma que "percebeu a informação havia sido passada por Mariz a Michel Temer, e que Temer prontamente acionou Geddel para sondar o depoente". "Geddel demonstrava naturalidade ao receber os valores", diz Funaro. Por meio de sua assessoria, o presidente Temer disse que "jamais aconteceu tal telefonema". Funaro acabou rompendo com Mariz. No documento, a PF atribui vantagens indevidas de R$ 31,5 milhões a Temer e aponta Geddel (PMDB-BA) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ) como 'longa manus' das negociatas.

O Palácio do Planalto declarou que o delator não merece nenhuma credibilidade e inventa narrativas para escapar de condenações. Os outros citados por Funaro não foram localizados pela reportagem. Contou ainda que após ser preso era monitorado por um advogado ligado ex-presidente da Câmara.

Já o advogado Délio Lins e Silva Júnior, defensor do deputado cassado Eduardo Cunha, que está preso, afirmou que "a defesa nega de forma veemente todas as acusações e prestará os devidos esclarecimentos oportunamente". Temer não foi incluído no inquérito porque o suposto ato ilícito teria ocorrido antes de sua posse na Presidência, em 2016.

Sandro Mabel afirmou que não participou de nenhum ato ilícito, e que as investigações vão comprovar a inocência dele.

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