Guterres fala de "última oportunidade" para Suu Kyi — Birmânia

Patrice Gainsbourg
Setembro 20, 2017

A líder birmanesa Aung San Suu Kyi disse nesta terça-feira que "sente profundamente" o sofrimento de "todas as pessoas" envolvidas no conflito que atinge Myanmar, em sua primeira declaração sobre a crise humanitária que afeta os muçulmanos rohingyas, deslocados pela violência.

Em notícia publicada pela Al-Jazeera, o diretor da Burma Campaign UK, Mark Farmaner, acusa o chefe das Forças Armadas da Birmânia (Myanmar), Aung Hlaing, de ser o principal responsável pela violenta repressão contra o povo rohingya. Contudo, se comprometeu em levar ajuda humanitária às áreas atingidas pelo conflito, além de permitir o retorno dos refugiados rohingyas ao seu país.

"Não desejamos que Myanmar se divida entre crenças religiosas", afirmou Suu Kyi, criticada pela comunidade internacional por sua omissão diante da crise envolvendo a minoria muçulmana. Sob o pretexto de estar a combater contra os "terroristas" do ARSA, o exército birmanês desencadeou uma retaliação militar brutal contra a população civil daquela minoria islâmica, numa estratégia assente no saque e destruição de aldeias inteiras - 214 desde o início da campanha, segundo a Human Rights Watch -, em deportações em massa e até na instalação de minas terrestres na fronteira com o Bangladesh, para impedir a sua fuga.

Suu Kyi garante que a antiga Birmânia está "empenhada em restaurar a paz e a estabilidade em todo o Estado", condenando "todas as violações dos direitos humanos".

"As forças de segurança receberam instruções para adotar todas as medidas visando evitar danos colaterais e que civis sejam atingidos" durante as operações antiterroristas.

Há mais de um mês que a comunidade internacional esperava de Suu Kyi, Nobel da Paz em 1991, um comentário sobre a "limpeza étnica", tal como descrevem as Nações Unidas, à minoria muçulmana rohingya no país.

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A chegada de Temer em Nova York está prevista para às 17h de segunda-feira (18h, horário de Brasília). O Grupo de Lima e o Mercosul propõem adiar o encontro.

As Nações Unidas consideraram esta violência como "limpeza étnica".

Em três semanas, criou-se um dos maiores campos de refugiados do mundo e as autoridades locais e ONGs, que estão sobrecarregadas, lutam para ajudar os recém-chegados. As autoridades de Myanmar classificam os rohingya de "bengaleses", ou seja, cidadãos do país vizinho Bangladesh.

Desde que a nacionalidade birmanesa lhes foi retirada, em 1982, os rohingyas estão sujeitos a inúmeras restrições: não podem viajar, ou se casar, sem autorização, e também não têm acesso ao mercado de trabalho, ou a serviços públicos (escolas e hospitais).

A Amnistia Internacional acusou Aung San Suu Kyi de "praticar a política de avestruz" em relação "aos horrores" que se verificam na província de Rakhine, no oeste de Myanmar.

Nesta terça-feira, a Unicef denunciou que dentre as 23.000 crianças rohingyas chegadas a Bangladesh que foram examinadas pela organização da ONU, 3.000 sofrem de desnutrição aguda.

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