Jornalista morre depois de fazer 159 horas a mais num mês

Oceane Deschanel
Outubro 6, 2017

O excesso de trabalho foi a causa da morte da jornalista Miwa Sado, 31, no Japão em 2013. Dois dias depois, teve um ataque cardíaco e morreu. No mês que antecedeu o episódio, a repórter de política tinha 159 horas extras acumuladas e apenas dois dias de folga registrados. A cultura de trabalho já foi associada à diminuição de fertilidade.

Em 2015, uma outra japonesa, Matsuri Takahashi, morreu na sequência de excesso de trabalho: tinha trabalhado 105 horas a mais no mês anterior à sua morte e acabou por se suicidar.

"Karoshi não é um termo puramente médico mas um termo médico-social que se refere a fatalidades ou à incapacidade de trabalho devido a um ataque cardiovascular (que pode ser um acidente vascular cerebral, um enfarte do miocárdio ou uma falha cardíaca) agravado por uma carga de trabalhado excessiva ou por muitas horas de trabalho", explica a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Este tipo de problema não é novo no país. Mas em 2002, o número subiu a pique para 160, ficando sempre acima dos 140 até 2008.

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No Japão, há inclusive um termo para a morte por excesso de trabalho: Karoshi, palavra que surgiu na década de 1970. Historicamente, o Japão é um país onde o equilíbrio entre vida pessoal e laboral praticamente não existe. Segundo o Governo japonês, um em cada cinco trabalhadores está em risco de karoshi.

De acordo com um alto funcionário do departamento de notícias da NHK, Masahiko Yamauchi, a empresa demorou três anos para divulgar a morte de Miwa em respeito à família da jornalista.

"Ainda hoje, quatro anos mais tarde, não conseguimos aceitar como real a morte da nossa filha".

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