Wesley resume o Brasil pós-Temer: colaboradores presos, delatados soltos

Patrice Gainsbourg
Novembro 9, 2017

O empresário Wesley Batista, um dos donos da J&F, afirmou em depoimento à CPI da JBS na manhã desta quarta-feira que o país passa por um retrocesso no combate à corrupção. Ele alegou estar preso injustificadamente, sofrendo de solidão e medo. Ele está detido na superintendência da Polícia Federal (PF), em São Paulo, pela prática de "insider trading" - utilização de informações privilegiadas para obter lucro no mercado financeiro.

- Foi o mais eficaz que já se viu até agora no país - afirmou.

- Não tínhamos ideia de quanto isso afetaria nossas vidas, nossa família, nossos filhos.

Foi um processo de profunda transformação pessoal e profissional.

"Não é fácil, é solitário, dá medo e causa muita apreensão". "Na condição que me encontro, descobri que o processo é imprevisível e inseguro". "Isso fez o Brasil se olhar no espelho, mas como ele não gostou do que viu, temos delatores presos e delatados soltos", disse.

Heineken lança máquina de chope no estilo 'café expresso'
Sem previsão de chegada ao Brasil , a máquina está disponível apenas na Alemanha , França, Itália, Reino Unido e Romênia. A Heineken anunciou o lançamento da " Blade ", uma máquina que produz chope a partir de cápsulas.

Wesley disse que, por orientação exclusiva de seus advogados, não responderá as perguntas dos parlamentares, mas uma questão de ordem foi aprovada para que ele permaneça ouvindo os congressistas até o fim da sessão, ainda que em silêncio.

Wesley e o irmão Joesley Batista, assim como o executivo Ricardo Saud, perderam os benefícios legais de sua delação, entre os quais a imunidade penal, depois que foram acusados de omitir informações ao Ministério Público - principalmente sobre a participação do ex-procurador da República Marcelo Miller nas tratativas relativas à colaboração. "Estou preso por um crime que jamais cometi, pois jamais descumpri meu acordo de colaboração". Tão logo essa situação seja resolvida, com a autorização expressa da Procuradoria-Geral da República, eu me comprometo a prestar todos e quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários, para continuar colaborando com a Justiça brasileira.

- Estamos vendo colaboradores sendo punidos e perseguidos pelas verdades que disseram.

O presidente da CPMI, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), chegou a propor uma sessão fechada para que Wesley fizesse depoimento, mas a defesa do empresário negou o pedido. Diante da negativa de Wesley e seus advogados, decidiram então que o manteriam presente no auditório e fariam suas explanações e questionamentos sobre a corrupção na JBS.

A audiência durou cerca de duas horas, com alguns deputados insistindo para que Wesley falasse, mas ele permaneceu calado.

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