Golpe militar no Zimbabué: Mugabe detido pelo exército

Patrice Gainsbourg
Novembro 15, 2017

A tensão no país africano começou na tarde da terça-feira, depois que vários tanques foram vistos em direção à capital Harare, apenas um dia depois que o próprio Chiwenga advertisse que tomaria "medidas corretivas" se continuasse o expurgo de veteranos no partido do presidente Mugabe, no poder desde 1980. "Se isto não é um golpe, o que será?", questionou-se sobre a situação, em declarações à estação televisiva.

"Há muito ressentimento contra (o Presidente) Robert Mugabe e a sua esposa (Grace)", sublinhou o político da oposição, que pediu aos cidadãos que "tenham cuidado", já que a "situação é anormal".

O Zimbabwe vive pela primeira vez uma divergência aberta entre o presidente, que dirige o país desde 1980, e o exército. A cidade estava cheia de soldados, que tomaram de assalto a televisão estatal, depois de o partido do Presidente Roberto Mugabe, de 93 anos, ter acusado a chefia militar de traição e lançado boatos sobre um eventual golpe de Estado.

O presidente sul-africano, Jacob Zuma, vai mandar um enviado para o país vizinho para se encontrar com Mugabe e as Forças Armadas do Zimbábue, segundo nota divulgada por seu gabinete.

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O Departamento de Estado norte-americano apela a que todas as partes resolvam os seus conflitos de forma "calma e pacífica" no Zimbabué.

"O Presidente [Zuma] enviou a ministra da Defesa e dos Antigos Combatentes, Nosiviwe Mapisa-Nqakula, e o ministro da Segurança do Estado, Bongani Bongo, ao Zimbabué para se encontrarem com o Presidente Robert Mugabe e o exército", indicou em comunicado a Presidência sul-africana. Um forte tiroteio ocorreu durante a madrugada, na zona da residência de Mugabe em Harare, segundo testemunhas contactadas pela AFP. Pouco depois, ouviram-se três explosões no centro da capital.

"Devemos lembrar a quem está por trás destes acertos desleais que quando se trata de proteger nossa revolução, os militares não hesitarão em intervir", alertou o general.

O partido Zanu-PF, de Mugabe, reagiu no dia seguinte ao aviso sem precedentes, acusando o chefe das Forças Armadas de "conduta de traição", afirmando que as críticas do general Constantino Chiwenga destinavam-se "claramente" a perturbar a paz nacional e demonstraram uma conduta de traição, "já que foram feitas para incitar à sublevação".

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