Dinheiro da Raríssimas paga viagens, BMW e vestidos de luxo

Oceane Deschanel
Dezembro 10, 2017

Com base em testemunhos e centenas de documentos, a investigação jornalística conclui que a gestão da presidente da Raríssimas, Paula Brito e Costa, poderá estar em causa.

Uma reportagem da TVI, emitida ontem à noite, denuncia a gestão financeira feita pela presidente desta associação criada para apoiar cidadãos portadores de doenças raras.

A isto juntam-se supostos mapas de deslocações fictícias, compra de vestidos de alta-costura, carros de luxo e gastos pessoais em supermercados. Manuel Delgado esclareceu por escrito à televisão que a sua função como consultor consistiu numa colaboração técnica na área de organização e serviços de saúde, nunca tendo participado em decisões de financiamento.

Para a TVI, surgem também envolvidos no esquema de utilização fraudulenta de recursos da associação o secretário de Estado da Saúde, que foi consultor da associação recebendo 3 mil euros por mês, e a deputada do PS Sónia Fertuzinhos, que viajou até à Noruega paga pela Raríssimas. "Era um mapa de deslocações fictício, porque as deslocações não existiam". "Noutro ano tenho 120 e não sei quantos mil euros de prejuízo", revela o ex-tesoureiro, que também saiu da Raríssimas após ter pedido a demissão.

Paula Brito Costa, presidente da Raríssimas - uma associação sem fins lucrativos que recebeu mais de 1,5 milhões de euros, dos quais metade são subsídios estatais - pode ter recorrido aos fundos daquela associação para pagar mensalmente milhares de euros em despesas pessoais, segundo avança uma reportagem da TVI. "Comecei a perceber que o intuito não era bem trabalharmos para os meninos, mas era também trabalharmos para nós", disse o homem que foi contabilista da Raríssimas entre 2010 e 2016.

"Eram (vestidos) caros e pagos com o cartão de crédito que estava em nome da presidente mas que era pago pela Raríssimas", explicou Ricardo Chaves, tesoureiro da instituição entre 2016 e 2017, que se demitiu depois de ver barrado, por Paula Brito e Costa, o acesso a contas e documentos. "As dificuldades era não termos dinheiro para fazer os pagamentos aos ordenados e aos fornecedores".

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"Depois da peça transmitida pela TVI no passado sábado a propósito da Instituição Raríssimas, e tendo em conta os factos relatados, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, dentro das suas competências, irá avaliar a situação", diz o ministério, em comunicado divulgado este domingo.

A Associação Raríssimas reagiu entretanto à reportagem da TVI, num comunicado publicado na sua página de Facebook, no qual alega ser alvo de "jornalismo de emboscada ao serviço de interesses obscuros". As acusações feitas contra Paula Brito Costa são corroboradas pelo testemunho de vários ex-funcionários da Raríssimas.

A direção limita-se a sublinhar que é essencial uma imagem adequada da presidente da Raríssimas quando representa a Associação.

A Associação garante que "todas as acusações apresentadas na reportagem são insidiosas e baseadas em documentação apresentada de forma descontextualizada", e que, ao contrário do que é dito na reportagem, "não está em causa a sustentabilidade financeira da Raríssimas".

"A Direção da Raríssimas emitirá nas próximas 48 horas o direito de resposta, na qual todas as questões levantadas pela reportagem merecerão um esclarecimento cabal e fundamentado", conclui a nota publicada na rede social.

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