Áustria se torna único da Europa a ter extrema direita no poder

Rebecca Barbier
Dezembro 16, 2017

O partido OVP (conservador) ganhou as eleições austríacas sem maioria absoluta e chegou a acordo com o FPO (extrema-direita).

O marco tornará a Áustria o único país da Europa ocidental com um partido de extrema-direita no governo.

O presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen, deu neste sábado, 16, sinal verde à formação do novo governo entre o Partido Popular Austríaco (ÖVP) e os ultranacionalistas do Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ) e anunciou que a tomada de posse acontecerá no início da semana que vem.

O acordo, dois meses depois de eleições dominadas pela crise migratória que se vive na Europa, acaba com a década do Partido da Liberdade na oposição, que esteve no governo pela última vez em 2000, precisamente com o partido que Kurz agora lidera.

O cientista político Anton Pelinka acredita que, apesar de o FPO ter ficado em terceiro lugar nas legislativas antecipadas de 15 de outubro, confirmando seu poder, "o OVP se impôs nos pontos mais importantes, a começar pela política europeia". O líder conservador do ÖVP afirmou que se concentrará no corte de impostos e na questão da segurança, incluindo a luta contra a imigração ilegal.

Apesar de o FPÖ, fundado por ex-membro do grupo paramilitar nazista SS, insistir em se distanciar de posições vinculadas ao nazismo, ainda existe desconfiança.

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Cerca de las 18:00 hora de Santo Domingo (22:00 GMT) los participantes se tomaron un receso de una hora y luego retomaron las conversaciones.

"A questão comum, que nos acompanhou durante as conversações, é a responsabilidade por esta bela pátria maravilhosa, a Áustria, e as pessoas deste país, que devemos servir", disse o líder do Partido da Liberdade, Heinz-Christian Strache.

O líder Strache já foi detido quando jovem por participar de protesto de grupo neonazista ilegal.

O FPÖ -assim como a alemã AfD ou a francesa Frente Nacional - baseia a sua plataforma na aversão aos estrangeiros e ao islamismo.

Quando o FPÖ entrou pela primeira vez no governo, com Jörg Haider (morto em 2008), países da UE impuseram sanções contra Viena, motivadas pelo fato de Haider ter elogiado as políticas de emprego de Hitler.

Ainda assim, o acordo entre os líderes, será oficializado pelo gabinete presidencial na segunda-feira, dará o controle de ministérios-chave ao FPO, que ficará a cargo das pastas de Relações Exteriores, Interior e Defesa.

O novo governo quer mais "democracia direta" de estilo suíço, facilitando a realização de referendos, mas a adesão da Áustria à UE está "excluída" da consulta popular, disse Strache.

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