Catherine Deneuve pede desculpa a vítimas de agressão sexual

Patrice Gainsbourg
Janeiro 16, 2018

"Cumprimento de modo fraterno todas as vítimas de atos odiosos que possam ter se sentido agredidas pelo texto [do "Le Monde"]".

Deneuve afirmou que apoiou o texto que denuncia o "puritanismo" das feministas do movimento #Metoo por discordar da simplicidade da discussão e do "efeito manada" provocado após os protestos contra os graves abusos cometidos por Weinstein.

"Dizer em uma emissora televisão que é possível ter um orgasmo durante um estupro é pior que cuspir na cara de todas aquelas que sofreram esse crime", indicou a veterana atriz, em referência às declarações da apresentadora Brigitte Lahaie.

O texto rebate os pontos abordados pela tribuna assinada por Deneuve e acusa as signatárias da tribuna de desprezar as vítimas de violência sexual.

“DENUNCISMO” A atriz foi uma das mais de 100 artistas francesas que subscreveram carta condenando o que chamam de "denuncismo" advindo da onda de assédios sexuais. "Uma época em que simples denúncias nas redes sociais geram punições, demissões e, com frequência, linchamentos na mídia (.) Não desculpo nada. Apresento minhas desculpas para elas, e somente para elas", justificou Deneuve.

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No texto, mulheres dos mundos do entretenimento, editorial e acadêmico reconhecem que crimes foram cometidos porém argumentam que os movimentos criaram um clima de repressão e se tornaram uma caça às bruxas que ameaça a liberdade de expressão e sexual feminina. O que eu não gosto é dessa característica do nosso tempo aonde todo mundo acha que tem o direito de julgar e condenar.

A atriz francesa Catherine Deneuve pediu desculpas a vítimas de abuso sexual que se sentiram ofendidas por uma coluna que ela assinou denunciando o "puritanismo" após o escândalo envolvendo o produtor de cinema Harvey Weinstein, mas manteve suas ressalvas sobre a campanha #MeToo. Lembro-me de que eu era uma das 343 putas com Marguerite Duras e Françoise Sagan que assinaram o manifesto "Eu tive um aborto" escrito por Simone de Beauvoir.

Outras francesas que participaram do manifesto publicado no Le Monde, como as atrizes Catherine Millet e Catherine Robbe-Grillet, saudaram a resposta de Deneuve.

A atriz realça também que não há nada na carta publicada na semana passada que "refira algo de bom sobre o assédio", e garante "se assim fosse, não a teria publicado". Para Deneuve, "a solução virá da educação de nossos meninos e meninas". "Eu acredito em justiça", escreveu. "Às vezes, fui criticada por não ser feminista".

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