Ministro do STF intima Segovia a explicar entrevista sobre Temer

Patrice Gainsbourg
Fevereiro 10, 2018

O ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso intimou o diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, a explicar declarações dadas acerca da investigação sobre Michel Temer. Em entrevista à agência Reuters, Segovia afirmou que não há indícios de que o decreto dos Portos sancionado por Temer beneficiou a empresa Rodrimar.

"Considerou também que a investigação ainda tem diversas diligências pendentes, "razão pela qual não devem ser objeto de comentários públicos" e que, como relator do caso, ainda não recebeu relatório final" do delegado Cleyber Malta Lopes nem parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que conduz a investigação.

Ao adentrar às questões internas de uma investigação criminal, conduzida por uma equipe multidisciplinar de investigação, composta por agentes federais, delegados, escrivães, papiloscopistas e peritos, o dirigente tanto extrapolou em suas funções, que são precipuamente administrativas, quanto avançou no sentido de garantir o entendimento futuro do Ministério Público Federal, a quem cabe legalmente o pedido de arquivamento de investigações criminais, e do Poder Judiciário, a quem cabe a decisão final pelo arquivamento ou não. Barroso, que é relator do inquérito sobre o caso no Supremo, quer que Segovia explique por que afirmou que a tendência na PF é recomendar o arquivamento da investigação.

"Afirmo que em momento algum disse à imprensa que o inquérito será arquivado". Barroso frisou ainda que Segóvia deverá se abster de novas manifestações sobre o caso.

Fachin nega pedido de habeas corpus de Lula
Fachin negou a solicitação em caráter liminar para evitar a prisão, mas remeteu o mérito ao pleno. A discussão prescinde de nomes, indivíduos, vez que importa à sociedade brasileira como um todo.

A assessoria de Segovia informou à Globo que o diretor-geral da PF está em viagem ao exterior e ainda não recebeu a intimação. Disse que ele está fazendo uma cabal apuração de todos os fatos.

De acordo com o chefe da PF não foram encontradas, até o momento, provas sobre o pagamento de propina por parte da empresa Rodrimar para Temer. Em tese, se houve corrupção ou ato de corrupção não se tem notícia do benefício. Em mensagem em grupos de Whatsapp, os investigadores disseram que a entrevista foi uma opinião pessoal de Segovia e que nenhum delegado foi consultado antes da declaração.

"Ninguém da equipe de investigação foi consultado ou referenda essa manifestação, inclusive pelo fato de que em três de anos de Lava Jato no STF nunca houve uma antecipação ou presunção de resultado de investigação pela imprensa", diz a mensagem. "Não se fala e não se tem notícia ainda de dinheiro de corrupção, qual foi a ordem monetária, se é que houve, até agora não apareceu absolutamente nada que desse base de ter uma corrupção", disse Segovia, segundo o jornal.

As declarações do diretor-geral da PF provocaram reação imediata de delegados que participam de investigações de inquéritos especiais, envolvendo autoridades com foro.

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