Sem reforma da Previdência, Fitch rebaixa nota de crédito do Brasil

Eloi Lecerf
Fevereiro 23, 2018

A agência de risco Fitch Ratings decidiu rebaixar a nota de crédito soberano de longo prazo do Brasil de BB para BB-, revisando a perspectiva de "negativa" para "estável" - ou seja, sem indicar novo rebaixamento em breve. A Fitch considera que o Brasil deve crescer 2,6%, em média, neste e no próximo ano, depois de ter assistido a uma expansão económica de 1% no ano passado, noticia a agência de informação financeira Bloomberg.

O relatório da agência afirma que o rebaixamento reflete "os persistentes e grandes déficits fiscais, um alto e crescente fardo da dívida pública e a falta de legislação sobre reformas que melhorariam o desempenho estrutural das finanças públicas".

Com isso, o Brasil ficou ainda mais longe do chamado "grau de investimento", que classifica os países como bons pagadores.

Esse calendário "significa que a reforma da Previdência será abandonada até depois das eleições e há incerteza sobre a capacidade do próximo governo de garantir sua aprovação de forma oportuna", acrescenta. "A pressão para baixo no rating soberano do Brasil ("BB"/perspectiva negativa) continua refletindo os altos déficits fiscais, o elevado e crescente peso da dívida e o fracasso em aprovar a reforma da previdência, que contribuiria para reduzir as pressões estruturais sobre as despesas", disse a diretora-sênior da Fitch, Shelly Shetty, em comunicado. A agência projeta ainda que a média do déficit público vai alcançar 7% do PIB entre 2018 e 2019.

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Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, foi diretor da estatal paulista entre 2005 e 2010. Essa redução indicaria "desfazimentos de bens a fim de evitar eventual ressarcimento ao erário".

Mais cedo, Fitch informou que rebaixou a nota de crédito soberano do Brasil de "BB" para "BB-".

Segundo uma fonte das Finanças contactada pela Bloomberg, o Governo já esperava uma descida do 'rating' atribuído pela Moody's e pela Fitch, faltando agora apenas a avaliação da Moody's sobre a qualidade do crédito brasileiro.

"Em nota, o Ministério da Fazenda reagiu ao rebaixamento argumentando que governo segue comprometido em progredir com a agenda de reformas macro e microeconômicas destinadas a garantir o equilíbrio das contas públicas".

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