Cade deve reprovar compra da Liquigás pela Ultragaz

Judith Bessette
Março 3, 2018

Com a recusa do Cade, o Ultra terá de pagar uma multa de R$ 280 milhões à Petrobras, que terá de centrar esforços na busca de interessados estrangeiros.

De acordo com a relatora, Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt, Ultragaz e Liquigás detêm, respectivamente, a maior e a segunda maior participação de mercado nacional de GLP. Ela apontou que a operação apresentaria uma concentração de mercado muito elevada em 22 Estados no mercado de gás de cozinha.

Enquanto Cristiane entendeu que a proposta da Ultra de vender o equivalente a 45% da Liquigás não era suficiente para garantir a concorrência neste mercado, Polyanna teve opinião contrária. O negócio foi aprovado pelo conselho de administração da Petrobras em novembro de 2016, por R$ 2,8 bilhões, dentro do seu programa de desinvestimentos. O negócio é encarado com restrições e a tendência, segundo fontes, é que seja barrado.

Nas últimas semanas, sem conseguir chegar a um acordo com a relatora, o grupo Ultra passou a negociar com Polyanna.

No mercado, uma empresa pega o botijão na casa do cliente.

Brasil gerou 77,8 mil empregos em janeiro
No ano passado, o mercado de trabalho melhorou, mas não escapou de um resultado negativo de 20,8 mil postos fechados. Entre os anos de 2015 e 2016, o Brasil encerrou mais de 3,5 milhões de vagas de empregos formais.

A conselheira afirmou que a aprovação da operação só seria possível com a venda de 65% da Liquigás, o que não foi considerado interessante pela Ultra, por isso os dois lados não chegaram a um acordo.

O conselho, que tinha um longo histórico de aprovações desde que passou a analisar operações previamente, em 2012, passou a ter o braço mais pesado desde o ano passado, após ser envolvido na delação de executivos da JBS.Em 2017, o Cade reprovou também a compra da rede Estácio pela Kroton e a compra da Mataboi pelo grupo JBJ - antes disso, tinha reprovado apenas cinco outras operações.

Procurado, o grupo Ultra disse que não se pronuncia a respeito do julgamento.

Cristiane sugeriu ainda que, caso o Cade decida pela reprovação da operação, uma nova venda da Liquigás pela Petrobrás seja feita para uma empresa com menos de 10% do mercado.

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