No Twitter, a informação falsa viaja mais depressa do que a verdadeira

Patrice Gainsbourg
Março 9, 2018

As notícias falsas espalharam-se com maior rapidez e de forma mais abrangente no Twitter, entre 2006 e 2017, do que as notícias verdadeiras.

A análise separou, ainda, as publicações feitas por 'bots' (uma aplicação de software que simula ações humanas mas de forma padronizada, como publicações nas redes sociais) e por pessoas, concluindo que não há grande disparidade de alcance entre as publicações falsas e verdadeiras feitas por 'bots', ou seja, alcançam o mesmo número de pessoas.

Esses achados estão no maior estudo já feito sobre a disseminação de notícias falsas na internet, publicado na revista Science nesta quinta (8). "Quando removemos todos os bots da nossa base de dados, as diferenças entre a propagação de 'notícias' falsas e verdadeiras permaneceram", indica Soroush Vosoughi.

A intenção original dos autores do estudo não era caçar provas sobre a propagação das notícias falsas ou do alegado conluio entre membros da administração Trump e a Rússia.

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"Os bots podem iniciar a divulgação, mas, à medida que se torna visível, são os seres humanos que desempenham um papel importante na transição", afirmou Axel Bruns, professor do Centro de Pesquisa em Mídia Digital da Universidade da Tecnologia de Queensland. Ao contrário do que seria de imaginar, os utilizadores que as espalham tinham poucos seguidores e seguiam poucas pessoas e eram significativamente menos ativos no Twitter.

Esta propensão para difundir informações falsas pode dever-se, segundo o estudo, ao seu caráter de novidade e ao facto de conseguirem surpreender mais os leitores que as informações verdadeiras. "São as notícias falsas que deram certo", diz.

Os autores do trabalho. "Podemos tentar intervenções como rotular ou sinalizar as 'notícias' que são falsas; podemos reduzir os incentivos económicos usados para espalhar as 'notícias' falsas reduzindo o seu alcance; ou poderíamos também ajustar o feed de notícias e os algoritmos de tendências para atenuar a difusão das 'notícias' falsas".

Na mesma edição da Science, há um artigo que apela a mais investigações interdisciplinares a nível social, psicológico ou tecnológico sobre os poderes por trás das informações falsas, para que assim se possa reduzir a desinformação.

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