Geisel aprovou política de 'execuções sumárias' na ditadura, mostra documento

Patrice Gainsbourg
Mai 11, 2018

Entretanto, no dia 1º de abril, dois dias depois da reunia, o presidente disse ao general Figueiredo que a "política deveria continuar", conforme informa o memorando.

O documento encontrado foi desclassificado em 2015, junto com outros 404, pelo Departamento de Estado Americano, envolvendo oito países da América do Sul.

O documento foi encontrado por Matias Spektor, professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas, e divulgado pelo site Opera Mundi.

Após o dia 1º de abril de 1974, o CIE coordenou a grande ofensiva contra o partido Comunista Brasileiro que matou dez de seus integrantes, todos sequestrados e mortos em centros clandestinos mantidos pelo órgão.

A rede americana que possui os documentos informou que uma cópia vai ser disponibilizada ao Secretário de Estado Adjunto para Assuntos Interamericanos. E a pergunta que fica: quem era o informante da CIA? Miltinho chefiou o CIE de 1970 a 1974 e estava passando o cargo para Confúcio. Também estava presente João Baptista Figueiredo, então chefe do SNI.

Segundo o documento, Geisel e Figueiredo concordaram que quando o CIE detivesse alguém que poderia cair na categoria de subversivo perigoso, o chefe do Centro de Inteligência do Exército deveria consultar o general Figueiredo que, por sua vez, deveria dar sua aprovação antes da execução.

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Figueiredo apoiou a continuidade desse tipo de combate à subversão. O presidente teria afirmado ainda que queria pensar a respeito durante o fim de semana antes de chegar a qualquer decisão sobre se os assassinatos deviam ou não continuar. Nele, consta que o presidente Geisel disse ao chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) à época, João Baptista Figueiredo, que se tornou presidente entre 1979 e 1985, que as execuções deveriam continuar.

"Quando o CIE prender uma pessoa que possa se enquadrar nessa categoria, o chefe da CIE consultará o general Figueiredo, cuja aprovação deve ser dada antes que a pessoa seja executada". O presidente ainda instruiu Figueiredo, que o sucedeu na Presidência da República em 1979, dar sua autorização para cada execução levada a cabo pelo CIE. Várias linhas ainda estão sob sigilo e não há informações sobre como a CIA teve acesso ao conteúdo das conversas. Em razão delas, Geisel afastou do comando do 2.º Exército o general Ednardo D'Ávila Melo, em 1976.

Em resposta a um pedido de comentário da Reuters, o Centro de Comunicação Social do Exército disse que "os documentos sigilosos, relativos ao período em questão e que eventualmente pudessem comprovar a veracidade dos fatos narrados foram destruídos, de acordo com as normas existentes à época".

Sob Geisel, a coordenação das ações foram centralizadas no Palácio do Planalto, por meio do Serviço Nacional de Informação.

São Paulo - O ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou ontem, o arquivamento de um dos inquéritos contra o governador de Minas Gerais, .

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