Adesão "extraordinariamente melhor" que na quarta-feira, afirmam sindicatos — Greve dos Médicos

Oceane Deschanel
Mai 12, 2018

Também João Silva viu a sua consulta "ao coração" ser adiada devido à paralisação dos clínicos.

A greve dos médicos está a ter um forte impacto em todo o Alentejo. Dos três blocos operatórios, apenas um está a funcionar.

Já o utente Carlos Lima acabou por receber tratamento de enfermagem, mas acrescentou que ouviu vários comentários de pessoas com "consultas desmarcadas".

Tem início amanhã a greve de três dias - 8, 9 e 10 - convocada por todos os sindicatos médicos, a FNAM - Federação Nacional dos Médicos (integrando o SMN - Sindicato dos Médicos do Norte, o SMZC - Sindicato dos Médicos da Zona Centro e o SMZS - Sindicato dos Médicos da Zona Sul) e o SIM - Sindicato Independente dos Médicos.

Segundo dados da secretaria regional da Saúde enviados à Lusa no total a adesão à greve situava-se nos 30% até às 13:00 locais (mais uma hora em Lisboa) no arquipélago.

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Nas consultas externas hospitalares a adesão era de 75%, de acordo com as mesmas fontes, enquanto nos cuidados primários chegava aos 85%.

Em declarações à Rádio Portalegre o dirigente do SIM, Armindo Ribeiro referiu que os serviços mais afetados são as cirurgias e as consultas externas. O que "demonstra, de facto, a insatisfação dos profissionais de saúde médicos com as políticas adotadas por este governo e com a não negociação com os sindicatos".

Os dois dirigentes fizeram um balanço positivo da greve hoje iniciada, bem como da percepção dos utentes da razão da paralisação para a qualidade dos serviços. Além disso, defendem que as listas de utentes dos médicos de família sejam até 1500 utentes, actualmente em cerca de 1900 doentes. "E é um grau de exigência muito grande, porque às vezes ficamos além do nosso horário de trabalho e não conseguimos dar resposta a tudo", sustentou.

Durante a tarde, numa manifestação em Lisboa frente ao Ministério da Saúde, os médicos em protesto adaptaram a música italiana "Bella Ciao" para cantar "Berto chau, Berto chau, Berto chau, chau, chau" e que "Adalberto não conhece/Não conhece o SNS". O descongelamento da progressão da carreira médica e a criação de um estatuto profissional de desgaste rápido e de risco e penosidade acrescidos, com a diminuição da idade da reforma, são outros dos motivos apontados.

Entre as reivindicações, os médicos exigem uma redução do trabalho suplementar de 200 para 150 horas anuais e uma diminuição progressiva até 12 horas semanais de trabalho em urgência. Na nota que publicam na imprensa, os sindicatos explicam que convocaram a greve "face à degradação do Serviço Nacional de Saúde e das condições de trabalho dos médicos" e lembram que a paralisação surge "após dois anos de tentativas de negociação com o Ministério da Saúde", sem resultados.

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