Escândalo sexual na Igreja chilena: todos os bispos pedem demissão ao papa

Patrice Gainsbourg
Mai 18, 2018

Em uma carta divulgada nesta quinta-feira (17) e entregue aos 34 bispos convocados pelo papa ao Vaticano, o chefe da Igreja Católica anunciou que está disposto a tomar medidas "em curto, médio e longo prazo" contra a hierarquia da Igreja, responsável por ter encoberto por décadas "abusos sexuais e de poder" cometidos por religiosos contra menores de idade.

Todos os bispos chilenos apresentaram a sua renúncia após encontros com o Papa Francisco, no Vaticano, na sequência do escândalo de abusos sexuais que abalou o clero no Chile. Tratam-se de medidas "necessárias para restabelecer a Justiça e a comunhão eclesial", explicou o pontífice.

"À luz desses acontecimentos dolorosos sobre os abusos - de menores, de poder e de consciência -, nos aprofundamos na gravidade dos mesmos, assim como nas consequências trágicas que tiveram particularmente para as vítimas", reconheceu o pontífice. Na terça-feira, depois do primeiro encontro, o papa impôs a eles 24 horas de silêncio, a serem dedicadas "à meditação e à oração". "Dor porque temos vítimas de abuso sexual e vergonha porque esses atos foram produzidos no contexto eclesiástico", afirmou o porta-voz da comissão chilena Fernando Ramos.

O documento, divulgado pela emissora chilena T13 e confirmado como autêntico pelo Vaticano, contem parte das conclusões da extensa pesquisa conduzida pelo arcebispo de Malta, Charles Scicluna, e colocou uma pressão crescente nos bispos como um todo para que se demitam, já que Francisco disse que "ninguém pode se eximir e colocar o problema sobre os ombros dos outros".

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Nenhum dos presentes, entre eles o controverso bispo de Osorno, Juan Barros, quis falar com a imprensa, mantendo até agora uma atitude prudente.

Além de Barros, outro prelado questionado é o arcebispo emérito de Santiago, Francisco Javier Errázuriz, que não foi ao Vaticano.

O papa Francisco reiterou em diversas ocasiões nos últimos meses seu desejo de um status quo internacional para Jerusalém e a retomada do diálogo entre israelenses e palestinos para uma solução baseada na existência de dois Estados.

Não é a primeira vez que um pontífice faz um expurgo de tal magnitude por casos de abuso sexual.

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